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quarta-feira, 26 de junho de 2013

Biblioteca Portuguesa de São Paulo é considerada de utilidade pública



             Essa foi a notícia sensação publicada no Diário da Noite, de 12/1/1934. A capital bandeirante passou a contar desde então (e atualmente também) com mais uma biblioteca de rico acervo:
            "A Biblioteca Portuguesa de São Paulo constitui um dos mais expressivos patrimônios da colônia lusitana desta capital. Fundada pelo Clube Português, a que pertence, conta apenas dez anos de existência e numerosas obras raras, de grande valor para estudiosos e bibliófilos. É uma das mais ricas e talvez a mais completa das bibliotecas particulares da capital.
            Não cogitaram seus organizadores de adquirir apenas obras portuguesas.
            Embora a biblioteca possua coleções completas dos maiores autores portugueses, a começar nas trovas e cantares acompanhando, século por século, a expansão do pensamento e das formas literárias em Portugal, os grandes autores estrangeiros encontram-se ali também, em edições, por vezes, ricas e raras. Assim acontece com Cervantes, La Sage, Ariosto, Dante, Petrarca, Rabelais, Ronsard, Shakespeare, cujas as obras se acham reunidas em edições de luxo.
            Em 1930, o Clube Português resolveu tornar pública a frequência da sua rica biblioteca. Depois das 14 às 16 horas, a toda pessoa que quisesse consultar os seus volumes bastaria tomar o elevador do clube, que a conduziria ao 3º andar, onde se encontra instalada a biblioteca.
            A dificuldade de se encontrarem em São Paulo as obras mais recentes dos escritores lusos de renome, bem como as edições de Coimbra, de poetas e cronistas anteriores a 1600, fez com que começasse a frequentar a Biblioteca Portuguesa de S. Paulo elevado números de estudiosos.
            E agora, o governo português, em face do sucesso alcançado e premiando o esforço despendido, acaba de considerar a Biblioteca Portuguesa de São Paulo de utilidade pública.
            E essa designação constitui o melhor prêmio e muito concorrerá para ao desenvolvimento da biblioteca, pois, de acordo com as leis portuguesas, de todas as publicações feitas na antiga metrópole deverá ser enviado um exemplar".

O Grupo Folclórico do Clube Português e a cançonetista Arminda Falcão

Grupo Folclórico do Clube Português com a cançonetista Arminda Falcão ao centro, 1954
            Em 1953, o Clube Português de São Paulo organizou um grupo folclórico. Seria uma segunda formação, pois o primeiro grupo intitulado "Grupo de Danças Regionais" durou de 1932 a 1936.
            A primeira apresentação do Grupo Folclórico aconteceu em 13 de setembro de 1953 no salão nobre do Clube, à Avenida São João, 126.
            O autor de muitas músicas e enredos para o grupo era Mário Gallo, que durante anos a fio foi o chefe da secretaria do Clube Português.
            A jovem Terezinha Zambo era o destaque como acordeonista, Tostes de Carvalho tocava guitarra portuguesa e o cantador era Ildebarto Leão.
             Na foto acima vemos o grupo ladeando a cançonetista Arminda Falcão, importante intérprete das músicas portuguesas no Rádio e na TV de São Paulo.
              Abaixo segue uma pequena biografia da artista publicada na coluna "Fado no Brasil", do jornal Mundo Lusíada, escrita por Thaís Matarazzo:
        Arminda Falcão foi à primeira cantora portuguesa a interpretar as músicas de seu país no Rádio paulista. Suas atividades radiofônicas datam de 1931.
        Nascida em Coimbra em 14/12/1900, veio para o Brasil com sua mãe, D. Julieta Falcão, em 1906, seu pai já estava aqui. Depois, o casal Falcão teve mais duas filhas: Judith e Alice. Em 1920, Arminda casou-se com o advogado Floriano Waldeck e foi residir no Rio de Janeiro, lá nasceram seus dois filhos: Antônio Lúcio e Sérgio. Após sete anos de matrimônio o casamento se dissolveu e Arminda voltou a São Paulo com seus dois rebentos.
         Passou a trabalhar, em 1930, como bilheteira do Cine Rosário, no prédio Martinelli, na Rua São Bento. Dona de uma bonita voz gostava bastante de cantarolar as músicas que aprendia no cinema, no teatro e com os discos da época.
Arminda Falcão e Alice Silva, 1952
       Após cantar durante alguns anos em programas avulsos em emissoras paulistas, afirmava que sua estreia profissional aconteceu somente em fevereiro de 1934, quando o professor e guitarrista português João Fernandes, e sua esposa Inês, estrearam o primeiro programa de Rádio dedicado exclusivamente à canção lusa, era o “Horas Portuguesas”, na Rádio Educadora Paulista. Arminda trabalhou durante diversos anos como intérprete exclusiva de “Horas Portuguesas”.
        Trabalhou ainda nas rádios Educadora, Record e Tupi – aonde foi contratada em 1942 e permaneceu até 1957. Gostava mais do teatro do que do Rádio, atuou em algumas revistas e operetas. Morou por largo tempo na Rua Santa Ifigênia, centro da Pauliceia, juntamente com seus filhos, sua irmã Alice e o sobrinho Alexis. Toda a família sempre cultivou a música clássica e não perdia uma temporada lírica do Theatro Municipal.
          Arminda Falcão também foi compositora, em geral, escrevia as letras e as melodias eram feitas por parceiros, como o músico Waldemar Pipl e o maestro Spartaco Rossi. A gravação da marcha de sua autoria “Alegres raparigas”, de 1945, teve tamanha repercussão em Portugal que foi premiada no Porto, nas festas de São João.
         Durante as décadas de 1940/50 Arminda cantou diversas vezes nas festas e chás dançantes do Clube Português de São Paulo e nas festas juninas da Portuguesa de Desportos, sempre acompanhada do professor João Fernandes, Silva Júnior e Conjunto Guarani. Atuou ao lado de outros colegas nos restaurantes típicos: Adega do Douro, Adega da Mouraria, Marialva, Solar da Alegria e Aviação. Sem contar o sem número de vezes que tomou parte em festas beneficentes da paróquia Nª. Srª. de Fátima, no bairro do Sumaré, e outras instituições religiosas. Sua presença era sucesso garantido, sua alegria refletida no seu repertório alegre e selecionado.
         Em 1949, participou cantando do filme “Quase no céu”, de Oduvaldo Viana, o elenco era formado por artistas da Rádio Tupi como Lolita Rodrigues, Lia de Aguiar e Osny Silva. Aliás, Arminda foi uma das primeiras artistas a aparecer na telinha da TV Tupi durante a sua inauguração em setembro/1950.
          Sua irmã, Alice Silva (contralto), gravou com a mana três discos 78 rotações entre 1948 a 1953. Alice participou de muitos programas lusos no Rádio e na TV da “Terra da Garoa”. As duas irmãs realizaram digressões por todo o Brasil. Arminda registrou cerca de 13 músicas em sete discos de 78 rotações, e o LP “Sucessos de Arminda Falcão”, pela Magisom, 1961. Seu filho, Sérgio Falcão, foi um inspirado compositor popular e cantor de músicas mexicanas, fez muito sucesso.
          Em 1952 o jornal Diário de S. Paulo anunciava: “Arminda Falcão e Alice Silva, as irmãs portuguesas que aparecem em numerosas programações das rádios Tupi-Difusora. Elas acabam de gravar, para a Continental, dois números que estão alcançando sucesso: ‘Romarias’ e ‘Ceifeiras’. Arminda Falcão é um dos valores mais positivos do grande elenco das ‘Associadas’ paulistas”.
          Arminda não fumava nem bebida. Não era supersticiosa, gostava bastante de dormir e foi grande amiga de seus filhos e vovó extremosa. Torcedora do São Paulo Futebol Clube. Gostava imensamente das operetas, seus compositores preferidos: Tchaikowsky e Brahms. Era espírita. Entre os cantores brasileiros apreciava Silvio Caldas, Romeu Feres e Eglê Bittencourt. Era grande fã do cinema, sempre que podia gostava de assistir as fitas de Gary Cooper e Barbara Stanwick.
          Procurava não se ausentar muito de São Paulo, cidade que amava muito, só ia ao Rio para visitar seus amigos e pessoas da família. Em 1973, seu filho Antônio Lúcio faleceu deixando a artista muito triste, já adoentada Arminda Falcão vem a falecer em São Paulo, aos 29 de dezembro de 1974.

Publicado anteriormente em: http://www.mundolusiada.com.br/colunas/fado-no-brasil/fado-no-brasil-arminda-falcao/

ORFEÃO DO CLUBE PORTUGUÊS – segunda parte


    

            A próxima atuação do grupo Orfeão aconteceu em abril de 1933, em Campinas-SP. Foram convidados a realizar um espetáculo beneficente pela comunidade portuguesa daquela cidade. A fama do Orfeão estava correndo pelo interior de São Paulo.
            Seguiram viagem 120 orfeonistas, seus acompanhantes e o maestro Giuseppe Manfredini. Embarcaram no último comboio na estação da Luz na noite de 27 de abril.
            O espetáculo aconteceu no Theatro Municipal de Campinas. Na primeira parte do programa foram executados os hinos do Brasil e Portugal, cantados com muita harmonia. Na segunda parte, figuraram danças, canções, fados, recitativos e cantos, tudo sob a direção da srta. Maria Antônia da Costa. O agrado foi completo, sendo que alguns números foram bisados.
            José Galante, ótimo cantor, e Horácio Rodrigues cantaram lindos fados. A menina Zalir Moraes, declamadora oficial do orfeão, foi bastante elogiada. Albertina Caldas cantou lindamente e foi convidada a se apresentar na Rádio Educadora de Campinas, PRC-9.
            “A segunda parte consistiu em músicas e danças regionais. Levantado o pano, irrompeu na caixa um grupo de rapazes e moças com trajes do Minho, cantando e dançando músicas típicas portuguesas. Muito graciosa, d. Nenê Costa, cantou um desafio com José Galante. (...) Horácio Rodrigues executou fados acompanhados à guitarra por Antônio Pires e ao violão por Santos Moreira”, publicou o Diário de Campinas em 2/5/1933.
            Na última parte da apresentação, o orfeão voltou a cantar em conjunto, foi bisado, com entusiasmo, nas canções Casinha Pequenina e Rapsódia Portuguesa (Nascimento), com arranjos do maestro Manfredini.
            Na manhã seguinte, 30 de abril, defronte ao monumento de Carlos Gomes, os orfeonistas prestaram homenagem ao glorioso maestro, filho de Campinas, depositando uma rica coroa de flores. À tarde, atendendo aos insistentes pedidos, realizaram uma matinê.
            Todos os anos, desde a fundação do Clube em 1920, nunca deixou de ser comemorado, em junho, o Dia de Camões, com exposição de livros, conferências e a presença de altas autoridades. De 1932 a 1936, o grupo regional de danças e o orfeão da entidade, participaram dos festejos camonianos, sempre com destaque.
            Em julho de 1933, o maestro Manfredini, por motivos pessoais, deixou de dirigir o orfeão. Em seu lugar entrou o regente Miguel Izzo, também italiano.
            Em pouco menos de dois anos o Orfeão do Clube Português firmava sua reputação artística e criava fama. Para esse sucesso muito contribuíram os regentes Giuseppe Manfredini e Miguel Izzo.
            A diretoria do Clube Português organizou um piquenique para os membros do orfeão em 27 de agosto de 1933, no clube Aramaçan, em São Bernardo do Campo-SP. A turma tomou um trem especial, às 8 horas, na estação da Luz.
            No mês de outubro de 1933 foram para Santos para novas apresentações.
Segundo o jornal Pátria Portuguesa, existiam na capital paulista quatro centros regionais luso-brasileiros: de Trás-os-Montes, do Douro, do Minho e da Beira. Havia a ideia, por parte do arquiteto Ricardo Severo, de unificar todas estas associações para construírem uma só entidade que seria denominada “Casa de Portugal”.
            Em 6 de julho de 1934, o orfeão se apresentou em uma festa beneficente a Cruz Azul no Theatro Municipal de São Paulo. Seguiram-se dois importantes convites: a  participação do grupo na “Feira de Amostras” no Rio de Janeiro e, em Santos-SP, quando o orfeão foi amplamente festejado pelo público daquela cidade. Miguel Izzo recebeu altos elogiosos pelo seu trabalho como regente. O grupo foi fotografado em diversas poses, como vemos nas fotos incluídas nesta postagem.
As atividades do orfeão permaneceram regulares, com ensaios de novas músicas, até 1936.

quinta-feira, 13 de junho de 2013

GRUPO FOLCLÓRICO DO CLUBE PORTUGUÊS - década de 1950

"Grupo de Danças Regionais do Clube Português" em 1933. À esquerda, com o rosto circulado está
Maria Antônia da Costa, idealizadora e diretora do grupo entre 1932-1936
           Por volta de 1932, surgiu no Clube Português o “Grupo de Danças Regionais”, organizado pela srta. Maria Antônia da Costa, filha de um importante empresário e sócio, com apoio da diretoria da entidade.
          Maria Antônia da Costa, mais conhecida como Nenê Costa, pode ser considerada agitadora cultural do Clube Português deste período.
            Uma pesquisa feita nos arquivos de recortes de jornais da nossa biblioteca dão conta da atuação deste grupo até o ano de 1936. Desta data até 1947 existe uma lacuna de informações sobre as atividades culturais do Clube.
O grupo regional de danças com 20 pares de dançarinos e mais a tocata. Fotografia de 1933, batida no salão
nobre do Clube Português de S. Paulo. Maria Antônia da Costa está com o rosto
circulado à esquerda da imagem
            O certo é que o “Grupo de Danças Regionais” cessou suas atividades, pois um novo conjunto se formou em 1953, agora intitulado “Grupo Folclórico do Clube Português”.
            Sob a direção de Gabriel dos Santos, o Grupo Folclórico se apresentava nas principais festas da entidade. Durante os festejos juninos, o grupo organizava a dança da quadrilha com muita animação.
            A primeira apresentação do Grupo Folclórico aconteceu em 13 de setembro de 1953 no salão nobre do Clube, à Avenida São João, 126.
            Ernesto Alves do Rego, diretor social da instituição, explicou que as finalidades que inspiraram a criação do conjunto era a exaltação da cultura popular portuguesa em terras brasileiras.
            O autor de muitas músicas e enredos para o grupo era Mário Galo, que durante anos a fio foi o chefe da secretaria do Clube Português.
            A jovem Terezinha Zambo era o destaque como acordeonista, Tostes de Carvalho tocava guitarra portuguesa e o cantador era Ildebarto Leão.
            Outra presença de destaque do Grupo Folclórico do Clube Português ocorreu durante os festejos do IV Centenário de São Paulo em 1954, como vemos nas fotos abaixo.



ORFEÃO DO CLUBE PORTUGUÊS – primeira parte

Recepção a Rainha da Colônia Portuguesa no Brasil, srta. Leopoldina Bello (ao centro), em 18/4/1932.
Ao fundo vemos os membros do Orfeão do Clube Português e convidados

           Idealizado em novembro de 1931 pelo cônsul adjunto de Portugal em São Paulo, Dr. Álvaro Brilhante Laborinho, durante uma conversa com o Dr. José Augusto de Magalhães, cônsul de Portugal.
            Em Piracicaba, interior de São Paulo, já existia um orfeão, que alcançou êxito, sendo o Orfeão do Clube Português o segundo a surgir no estado.
            Após a exposição da ideia a diretoria do Clube, alguns dirigentes convidaram a mocidade portuguesa e paulista, de ambos os sexos, para organizar o orfeão.
            O afamado maestro Giuseppe Manfredini tomou para si a responsabilidade da orientação artística.
            A comunidade lusa na capital bandeirante já estava beirando 60.000 emigrantes. Portugal tem um folclore rico e expressivo, de profunda emotividade. E a proposta do orfeão era exatamente trazer para seus patrícios, saudosos da sua pátria, um pouco da cultura para matar as saudades e, também, estabelecer contato entre os membros da colônia e fortalecer o espírito associativo, cultivando o gosto pela música.
            O grupo foi formado por sócios e não sócios da entidade. Desta segunda categoria, constavam alguns imigrantes que eram trabalhadores braçais do comércio no centro da cidade, onde estava a sede do Clube, que após um dia duro de trabalho encontravam um lenitivo nos ensaios semanais.
            Os membros do orfeão animaram com sua arte muitas festas de caridade, que solicitavam a sua colaboração e promoção.
            A primeira apresentação do conjunto aconteceu no salão nobre do Clube Português, depois de cansativos ensaios, aos 11 de abril de 1932, durante a festa em tributo a “Rainha da Colônia Portuguesa no Brasil”, a srta. Leopoldina Bello, vinda especialmente do Rio de Janeiro, em companhia da Srta. Isalinda Seramota, cantora de fados do rádio carioca. Em seguida, o orfeão tomou parte durante uma conferência sobre literatura no “Dia da Colônia”, em 14 de junho de 1932, também na sede da entidade.
            Seguidamente a formação do orfeão, a srta. Maria Antônia da Costa constituiu o “Grupo de Danças Regionais” do Clube Português. Anteriormente, em várias ocasiões, esposas e filhas dos sócios costumavam organizar um rancho do Minho e outro de Coimbra para se apresentarem em determinadas festividades.
            A menina Zalir Moraes era apaixonada por poesia e cedo revelou-se uma excelente declamadora. Além de fazer parte do orfeão e do grupo de danças, era sempre solicitada como número extra para recitar poesias nas apresentações do Clube.
            Em 7 de setembro de 1932 se deu a maior e mais importante apresentação do Orfeão do Clube Português: no palco do Theatro Municipal. Tratou-se de um recital artístico e beneficente em prol da Cruz Vermelha e da Cruz Azul.


Vários membros do Orfeão do Clube Português após um ensaio, 1932

           O espetáculo foi dividido em três partes, a primeira e a terceira a cargo do orfeão sob a regência do maestro Manfredini, e a segunda constou de guitarradas, versos, cantos e solos de violino.
            Na primeira parte foi apresentado pelo orfeão: 1º. Hino Nacional brasileiro, 2º. A Portuguesa, 3º. São João, Coutinho de Oliveira; 4º. Trovas ao luar, A. Sarti; 5º. Zé Pereira, Armando Leça e 6º. II Ritorno, J. Heine (1818). Na terceira: 1º. Vai falando, A. Sarti; 2º. Canção bisbilhoteira, A. Sarti / G. Manfredini; 3º. Tutú Marambá, Savino de Benedictis e 4º. Aleluia, F. Moutinho / G. Manfredini.
            Na segunda parte foi oferecido ao público solos de guitarra por João Fernandes - que dois anos depois levaria ao ar o primeiro programa de músicas portuguesa do rádio paulistano-, acompanhado por Santos Moreira; declamação de versos de Silva Tavares, Luiz de Freitas Branco, Mário de Andrade e A. Sarti e solos de violino pelo prof. Torquato Amore.
            Este espetáculo repercutiu da melhor maneira possível nos principais jornais e revistas da cidade.

O Orfeão na escadaria do Theatro Municipal de São Paulo. Maria Antônia da Costa está com o rosto circulado. No centro
está o maestro Giuseppe Manfredini

            Em dezembro de 1932, o orfeão foi convidado para realizar dois festival em Santos-SP, no Teatro Coliseu, o mais charmoso da cidade. Seguiram viagem no último comboio da estação da Luz, na noite de 9 de dezembro, o maestro Manfredini, o professor Carlos de Paiva Carvalho, diretor do grupo oral do orfeão, 125 orfeonistas e seus acompanhantes (familiares). O primeiro espetáculo, de gala, aconteceu na noite de 10 de dezembro, contando com uma seleta plateia composta da melhor sociedade luso-santista, o segundo show teve lugar na tarde do dia 11 de dezembro.
            Do programa apresentado constaram páginas musicais dos maiores folcloristas portugueses e brasileiros e, também, alguns trechos de música erudita subscritas por autores de renome.
            Mais uma vez os esforços de Maria Antônia da Costa em prol do conjunto mereceu destaque nas páginas dos jornais santistas: “Habilíssima e paciente preparadora de baile, a srta. Maria Antônia, arranjou números de bailados e cantos como organizadora do elenco de danças regionais, para preencher o programa do grupo de artistas amadores.” (Diário de S. Paulo, 7/12/1932).
CONTINUA...

A Semana Camoniana no Clube Português em 1934

      Constitui uma tradição, desde a fundação do Clube Português, em 1920, as comemorações no mês de junho em tributo a memória de Camões, o maior poeta da literatura portuguesa.
        No ano de 1934, a efeméride contou com uma grande festividade conforme a transcrição da matéria publicada no jornal O Estado de S. Paulo de 6/6/1934:
       "Prosseguiram ontem, com o mesmo brilho, as solenidades da Semana Camoniana, promovida pelas Escolas da Colônia Portuguesa, com a colaboração das associações lusas de São Paulo.
        À tarde, com a presença do Dr. Murtinho Nobre de Mello, ilustre embaixador de Portugal, tenente Benedicto P. França, representante do Sr. Chefe de Polícia, Dr. Francisco Azzi, diretor geral de ensino, cônsul de Portugal, vice cônsul adjunto, Dr. Carlos Malheiros Dias, Affonso Taunay, Dr. Joaquim Marra, Dr. Ricardo Severo e outras pessoas de destaque portuguesas e brasileiras, deu-se a festiva inauguração da Exposição Camoniana, instalada na Biblioteca Portuguesa de São Paulo, no Clube Português.
        A vasta sala q ue o Clube lusitano da Avenida São João consagrou a essa mostra de livros camonianos apresentava àquela hora um aspecto festivo. Numerosas famílias haviam se reunido no Clube, tomando os seus salões lindamente decorados. Uma orquestra enchia de notas alegres o ambiente.
        Com a chegada do Dr. Martinho Nobre de Mello, foi franqueada a sala da biblioteca e os visitantes puderam apreciar a beleza daquele conjunto. Ao centro da sala, a Cruz de Cristo, constituída por tufos de flores vermelhas e brancas, e separada pelas hastes de cruz das caravelas, as diversas seções do mostruário. Viam-se também, além das obras que ontem enumeramos diversos mármores, bronzes, gravuras antigas, entre as quais uma vista de São Paulo de 1600, e trabalhos recentes, contando-se entre eles o célebre carvão “Camões lendo os Lusíadas”, por Antônio Carneiro.
         O Sr. J. Machado, apresentou os resultados daquela iniciativa improvisada mais acolhida com simpatia por toda parte.
         O embaixador de Portugal saudou aquele esforço, congratulando-se com a colônia lusa desta capital pela sua magnífica realização. Depois aproveitou a oportunidade para despedir-se de seus amigos, pois devia regressar ontem mesmo para o Rio de Janeiro.
          À noite, na velha e tradicional Sociedade Beneficente Vasco da Gama, no Brás, realizou-se uma grande reunião, durante a qual diversos oradores se fizeram ouvir. Abriu-a o Dr. Silva Taveira, cônsul adjunto nesta capital, saudando os portugueses ali reunidos.
           Em seguida, o Dr. Marques da Cruz, diretor pedagógico das Escolas da Colônia Portuguesas de São Paulo, apresentou à assistência o Dr. Maximiliano Ximenes, que iniciou sua conferência sobre “Camões, poeta lírico”. Todos os oradores foram calorosamente aplaudidos pela numerosíssima assistência.
           Seguiu-se o Grupo Regional de Danças do Clube Português que, com o agrado de sempre, fez-se ouvir nas suas deliciosas interpretações. E, assim, a festa prosseguiu ainda por muito tempo, deixando em todos que já estiveram a melhor das impressões. O Sr. Manuel Moraes Pontes, digno presidente da S. B. Vasco da Gama foi de inexcedível gentileza para com seus convidados.
           A propósito da inauguração da Semana Camoniana, o Dr. Malheiro Dias recebeu por intermédio do Dr. Ricardo Severo o seguinte telegrama:

         “Estou aí em espírito, ouvindo sua grande voz rolando na onda camoniana com a mesma grandeza imortal” – Gilberto Amado”.
 Quatro anos antes, em 6 de julho de 1930, foi inaugurado o busto de Camões na Biblioteca Portuguesa de São Paulo (atual Biblioteca João Alves das Neves), de autoria do escultor Rodolpho Pinto do Couto.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Presidente do Clube Português de SP é condecorado por Cavaco Silva em Lisboa


       O Presidente do Clube Português de São Paulo, Dr. Rui Fernão Mota e Costa receberá condecoração do presidente português Cavaco Silva.
Na cerimônia comemorativa ao 10 Junho, Dia de Portugal, Camões e Comunidades Portuguesas, o presidente português Aníbal Cavaco Silva deve condecorar 22 personalidades das comunidades e cidadãos residentes no estrangeiros.
Do Brasil, serão distinguidos Jorge da Conceição Lopes, empresário na área dos produtos alimentares em São Paulo, Raul Araújo Penna, empresário e presidente da Federação das Câmaras Portuguesas de Comércio no Brasil, e Rui Fernão Mota e Costa, advogado, empresário e presidente do Clube Português de São Paulo, com a comenda da Ordem do Mérito.
Ainda, Arménio Ferreira Diogo, empresário da restauração no Recife e presidente da Câmara de Comércio Brasil-Portugal de Pernambuco, será distinguido como comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Comercial. E Albino Nunes, empresário com restaurantes e empresas em São Paulo e radicado no Brasil há mais de quatro décadas, será condecorado como comendador da Ordem do Mérito Empresarial, Classe do Mérito Industrial.
Rui Fernão Mota e Costa assumiu a presidência do Clube Português e conseguiu modernizar a casa, fazendo parcerias que deram certo. Atualmente, a entidade se diz auto-sustentável, com reformas concluídas e dinheiro em caixa que faz da entidade mais antiga de São Paulo ter uma gestão elogiada pela comunidade. Segundo o presidente,  O Clube Português só não está em dia com suas despesas como não tem nenhuma dívida, garante Rui Mota ao Mundo Lusíada.
Outros países
O jornalista José Manuel Milhazes Pinto, residente na Rússia e há vários anos correspondente da Lusa e de outros órgãos de comunicação social portugueses, será condecorado como comendador da Ordem de Mérito. Entre os agraciados no Dia de Portugal está também o congressista de origem portuguesa na Califórnia Devin Nunes, que será distinguido como Grande-Oficial da Ordem do Infante D. Henrique.
Como comendadores da Ordem do Infante D.Henrique serão condecorados o deputado do SPD e presidente do grupo parlamentar de amizade Alemanha-Portugal do Bundestag desde 2002 Christian Lange, o austríaco e cônsul honorário de Portugal em Innsbruck Ernst Wunderbaldinger, além da italiana Fernanda Toriello, professora catedrática de literatura portuguesa e brasileira e de literaturas africanas de expressão portuguesa da Universidade de Bari.
O empresário argelino Lyes Boudiaf, que é diretor-geral da Partex Argélia desde 2009 e representante da Fundação Calouste Gulbenkian no país, será agraciado como Cavaleiro da Ordem do Infante D. Henrique.
Como comendadores da Ordem do Mérito serão distinguidos Ana Maria Torres, conselheira municipal em Bordéus que se tem dedicado ao ensino do português a cidadãos franceses na região, Daniel da Ponte, senador estadual e ‘chairman’ da comissão de Finanças do Senado do Estado de Rhode Island, Duarte Manuel Ponte Miranda, antigo vice-presidente executivo do Royal Bank of Canadá, e Emanuel Linhares, presidente do conselho de administração da Caixa Económica Portuguesa de Montreal, no Canadá.
Serão ainda agraciados como comendadores da Ordem do Mérito Fernando Gomes, médico que exerce em Macau e é responsável pelo serviço de Medicina Física e Reabilitação do Centro Hospitalar Conde de S. Januário, Henrique Novais Ferreira, engenheiro residente em Macau desde o início da década de 90 que esteve ligado à construção do aeroporto e da ponte Flor de Lótus, e João Carlos Cardoso Pinheiro, empresário do ramo automóvel em New Bedford, nos Estados Unidos.
João Francisco Lopes dos Santos, corretor imobiliário no Canadá e co-fundador da Federação Luso-Canadiana de Empresários e Profissionais, Mário Castilho, presidente e Fundador da Associação Portuguesa Cultural e Social de Pontault Combault, serão também distinguidos como comendadores da Ordem do Mérito.
António Antunes Canas, conselheiro das Comunidades Portuguesas eleito pela Argentina desde 2003, será agraciado a título póstumo como comendador da Ordem do Mérito. Como oficial da Ordem do Mérito será condecorado Masamichi Matsumoto, diretor do Athénée Français Cultural Center e promotor do cinema português no Japão.

Busto de Camões - Clube Português de São Paulo


Busto de Camões em mármore do escultor Rodolpho
Pinto do Couto
           Inaugurado na Biblioteca do Clube do Clube Português em 2 de julho de 1930, por iniciativa de um grupo de amigos do Clube, quando da visita ao Brasil do Dr. Nuno de Simões, Estadista ex-ministro do Comércio da República Portuguesa, contando com a presença do Exmo. Dr. J. A. Magalhães, Cônsul de Portugal em São Paulo.
           Na oportunidade houve grande festa nos salões do Clube, sendo noticiado o fato em todos os meios de comunicação da época. Foi, portanto, um grande acontecimento para todos os brasileiros e luso-descendentes.
           A obra artística foi do escultor português Rodolpho Pinto do Couto, Diretor Artístico do Clube, que soube como ninguém viver em mármore o autor dos “Lusíadas”,  símbolo das glórias do povo luso.
           Na época, foram feitos também três bustos iguais em bronze, para serem distribuídos para a Academia Brasileira de Letras, Gabinete Português de Leitura e Academia de Ciências de Lisboa.
            O Busto de Camões representa o maior símbolo das glórias da raça e dos tesouros da língua portuguesa.


Óleo sobre tela, "Camões na Ilha de Moçambique", de autoria
de A. Neves e Souza, 1979

        A Biblioteca do Clube Português tem em sua coleção outras peças importantes sobre Camões e sua obra, como quadros e livros raros, alguns dos quais serão expostos no dia 9 de junho durante o ato cívico do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" na sede da entidade.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Arraial de São João no Clube Português em 1952


        He, he, compadre! Boa noiti! Vamô pra quadrilha? Escolhi seu par, que a dança vai começá!!!
       Já, já chega o mês de junho e, em alguns locais da capital paulista, como o Parque da Água Branco, próximo a sede do Clube Português ou no Parque do Trote, na Vila Guilherme, é possível saborear as guloseimas típicas desta época como o bolo de fubá, pipoca, maçã do amor, pinhão, vinho quente, quentão, cocada etc... 
       Se bem que, as festas juninas atuais em quase nada lembram a nossa tradição caipira. Atualmente, os temas das festas estão muito ligados à cultura norte-americana.
      
      Santo Antônio, São Pedro e São João, os três santos populares do mês de junho,  foram festejados com toda pompa e alegria pelos associados do Clube Português de São Paulo em 1952.
        Abaixo, as fotos da quadrilha e da turma caracterizada para a festança. 




sexta-feira, 17 de maio de 2013

Concerto do maestro Oscar da Silva no Clube Português em 3/9/1927


            


Na noite de 3 de setembro de 1927, a Diretoria do Clube Português fez realizar-se uma noite de arte coroada de êxito. A apresentação do pianista e compositor Oscar da Silva, considerado o último dos grandes românticos portugueses e, simultaneamente, o iniciador da música moderna em Portugal. Oscar da Silva aderiu com entusiasmo à evolução modernista. Sendo reconhecido em vida como um grande compositor, bem como um intérprete genial, sobretudo de Chopin e de Schumann.
            O pianista nasceu no Porto na Rua Costa Cabral, em 21 de abril de 1870, e veio a falecer a 6 de março de 1958, em Leça da Palmeira, em Portugal.
            Em 1881 dá início aos seus estudos de música e compõe a sua primeira peça, Hino Infantil, cantada por um coro infantil sob a sua direção no Palácio de Cristal. Em 1884, começa a frequentar o Conservatório Nacional. Em 1915 cria e publica em livro Sonata Saudade – A viagem, para violino e piano.
           Em 1930 viaja para o Brasil, onde permanece cerca de 20 anos, só regressando a Portugal a convite de António Salazar. Em 1935 vê grande parte da sua obra publicada e recebe a Ordem de Santiago e Espada. Em 1940 compõe o hino da cidade do Porto.



O Salão Nobre e o mesanino do Clube Português lotaram para assistir a apresentação do maestro Oscar da Silva




Sobre o concerto, foi registado no livro de "Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo":

"O concerto de sábado, realizado pelo ilustre pianista e célebre compositor português, Sr. Oscar da Silva, gravou na mente de todos que a ele assistiram a nítida noção do caro e extraordinário valor do eminente artista. Gozando de uma justa fama e renome universal, o Sr. Oscar da Silva teve a ouvi-lo uma numerosíssima e seleta assistência.

Na primeira parte do programa, executando algumas músicas de Chopin, sua especialidade, o notável artista emocionou o numeroso auditório pela forma da sua execução verdadeiramente assombrosa e fantástica; momentos havia em que as teclas mansamente feridas choravam notas tão tristes e sentimentais que numa onda de melancolia invadia todos os presentes, outras vezes, porém, eram uma rajada quente de entusiasmo que perpassaram sobre elas, arrancando-lhes um hino de triunfo que as distorcia entusiasmada depressão como estrepitosas palmas.

Na segunda parte, o Sr. Oscar da Silva fez uma conferência, dissertando sobre as músicas regionais portuguesas e meios de propagação. Em termos eruditos e claros o também ilustre conferencista mostrou como cada província tem as suas modinhas e canções com características próprias. Em seguida, ao piano, demonstrou cabalmente como as suas 'páginas portuguesas'como essas mesmas velhas modinhas ainda hoje podem fazer as delícias dos nosso ouvidos, quando sabiamente estilizadas por uma talento como o de S. Excia.

No fim foi-lhe oferecida uma taça de champagne, tendo sido saudado pelo Sr. Henrique Serra em nome da Diretoria e pelo Sr. Anselmo de Oliveira.

O programa que agradeço sem reservas era o seguinte:

1ª.Parte

1-Prelúdio. 2- Estudo. 3- Nocturno. 4- Duas Valsas. 5- Marcha Frenelie.... de Chopin
6-Danças Húngaras de Johannes Brahms
7-Berceuse de Brahms
8-Parafrase de Saint-Saëns
2ª. Parte
1- Palestra sobre a música popular portuguesa pelo recitalista
2- Algumas páginas portuguesas
3- Improviso sobre um tema popular brasileiro
4- Uma rapsódia portuguesa".

Oscar da Silva, ao centro, ladeado pelos Diretores e associados após sua magnifíca apresentação. Esta bela mesa que vemos na foto, ainda existe e hoje faz parte da sala da Biblioteca do Clube Português


Fonte de pesquisa:  Livro de "Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo"
                                www.cm-matosinhos.pt/pages/561?poi_id=38

Baile de Carnaval de 1929 no Clube Português



A matiné infantil para a garotada aconteceu em 2 de fevereiro
             1929 foi o ano em que se iniciou uma grande crise na economia mundial, devido à quebra da Bolsa de valores dos Estados Unidos.
            Enquanto isso, no Brasil, os foliões, carnavalescos e nos salões se cantavam, com todo entusiasmos, as marchas Dorinha meu Amor, Vadiagem, Gosto que me enrosco, com Mário Reis; É sim senhor, Seu doutor, Comigo não violão, com Francisco Alves e Sou da fuzarca e Não sou mais trouxa, criações de Benício Barbosa.
             No Clube Português não foi diferente. Seus bailes de carnavais eram famosos. Noticiava o Diário de S. Paulo de 1º/2/1929: "Costumam ser das mais entusiasticas e pomposas as festas carnavalescas do Clube Português. Este ano abri-se-ão os salões da bela casa da Avenida São joão, para doi retumbantes acontecimentos da empolgadora quadra do imperador Momo.
            O 1º, no domingo, dia 2 de fevereiro, reunirá a buliçosa 'gente de palmo e meio' num vesperal a fantasia, com muita alegria, de bombons, jogo de confete, serpentinas e, sobrehavendo, na mesma noite às 20 horas, sarau dançante para os sócios e suas famílias.
            O 2º terá lugar no dia 11, das 22 horas em diante, e consite num baule carnavalesco, em forma, obrigatória de traje a rigort, fantasia ou branco, exclusivamente, para as famílias, com exceção da petizada que, essa, tem que dormir para acordar cedo e bem disposta no dia do Entrudo.
           A sede do Clube receberá artística e original ornamentação, caprichosa e rica".
Grupo de associados fantasiados para o carnaval de 1929. À esquerda, sentada no sofá, vemos a Sra. Maria Amélia D'Eça, e ao centro, a Sra. Sarah Costa, esposa do vice-presidente do Clube Português, Sr. Júlio Costa. Sentadas no chão, à esquerda está a srta. Helena Costa e, a direita, sua irmã Maria Antônia Costa, filhas de Júlio e Sarah Costa. Essas duas mocinhas serão futuramente animadoras do 1º Grupo de Danças Regionais da referida entidade
          
Sobre esta festiva noite, eis o registro do livro “Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo”:
           "Se as festas do Clube, os seus saraus, os seus vesperais, as suas magníficas reuniões lhe não marcassem, desde há muito, um lugar de elite entre as mais distintas Associações de São Paulo, bastaria o Baile de Carnaval, do dia 11 de fevereiro, para lhes assegurar iniludivelmente. Foi uma bela noite de alegria, de encantamentos e de elegância, com toda a graça e espírito inerentes ao festejo de Momo, sem uma nota destoante que lhe perturbasse as folgas e os risos francos. Centenas de famílias encheram nossos salões caprichosamente adornados, numa orgia de luzes, de plantas e de corbeiles. A formosura e a distinção das senhoras, algumas das quais ricamente fantasiadas dava requintes de realce ao bulício das danças que animaram sem cessar até alta madrugada. Foi cuidado e bem abastecido o serviço de buffet. Os senhores Diretores foram incansáveis de gentilezas para com os convidados e associados. Boa organização em tudo, e uma ordem que mereceu louvores aos mais exigentes. Música afinada e incansável. A melhor sociedade da colônia portuguesa e do meio paulista passou, esta noite, pelos salões do Clube. E as apreciações dos menos dados a amabilidade eram unanimes, no dia seguinte: “O baile de 11, no Clube Português, foi o melhor, senão o melhor, do Carnaval deste ano, em São Paulo”.
Os associados se divertiram à beça. Os jornais da capital, sem excessão, noticiaram o Baile de Carnaval do Clube Português
como o acontecimento do ano

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Clube Português em 1922

Gago Coutinho e Sacadura Cabral, ao centro, ladeados pelos diretores e pelo presidente do Clube Português de São Paulo, Ignácio Pereira (à extrema direita)
           Na manhã de 30 de Março de 1922, às 7 horas, o FAIREY II, tripulado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral descolou do Rio Tejo, com destino ao Rio de Janeiro. Era a primeira Travaesia Aérea do Atlântico Sul. Cinco dias antes, a 25 de março, largaram os navios de guerra República, Cinco de Outubro e Bengo, que iriam prestar assistência de voo.
          A travessia realizou-se em várias fases, no intervalo das quais os hidroaviões eram assistidos. Contudo, consideram-se quatro etapas na viagem, visto que, devido a problemas mecânicos e condições naturais adversas, foram utilizados três hidroaviões.
Gago Coutinho e Sacadura Cabral posando ao lado das esposas e filhas do diretores do Clube Português, 5/7/1922

Após as várias etapas e dificuldades durante a viagem, Gago Coutinho e Sacadura Cabral passaram em junho de 1922 pelas cidades de Recife, Bahia, Porto Seguro, Vitória, e, finalmente, Rio de Janeiro, aos 17 de junho, na enseada da Guanabara, levando os corações de portugueses e brasileiros a baterem em um só compasso.
           Receberam as mais altas honrarias e comemorações do povo paulista e de seus patrícios, quando da passagem destes dois ilustres aviadores em São Paulo. No dia 5 de julho de 1922, foram recepcionados no Clube Português de São Paulo pelo presidente Ignácio Pereira, seus diretores e sócios.
Recepção aos aviadores na sede do Clube Português de São Paulo aos 5/7/1922

Biblioteca "João Alves das Neves"


João Alves das Neves (1927-2012)

A Biblioteca Portuguesa de São Paulo, departamento do Clube Português, recebeu o nome de Biblioteca “João Alves das Neves”, em homenagem ao jornalista, professor e escritor, João Alves das Neves, que durante muitos anos foi o Diretor Cultural da entidade.
            A cerimônia de descerramento da placa aconteceu durante o jantar de comemoração dos 92 anos do Clube Português, a 17 de agosto de 2012, e contou com a presença do Cônsul Geral de Portugal em São Paulo, Sr. Paulo Lopes Lourenço, sua esposa, familiares de João Alves das Neves, além de outras personalidades luso-brasileiras e foi conduzido pelo presidente da entidade Sr. Rui Mota e Costa.


            João Alves das Neves era natural de Vila de Arganil, em Portugal, em 30 de maio de 1927.
           Estudou no Porto, em Lisboa, Paris e São Paulo, onde exerceu as funções de redator-editorialista do jornal O Estado de S.Paulo e ao mesmo tempo foi professor pesquisador da Faculdade de Comunicação Social Cásper Libero. Colaborou em alguns dos mais importantes jornais brasileiros e portugueses e fundou as revistas culturais: Portugália; Comunidades de Língua Portuguesas e Arganilia. Fundou e presidiu o Centro de Estudos Fernando Pessoa, através do qual organizou três encontros culturais sobre os países de língua portuguesa. Foi, ainda, diretor da varias associações Luso-Brasileiras, no Brasil e em Portugal. Publicou cerca de três dezenas de livros, sete dos quais sobre Fernando Pessoa e outros sobre Machado de Assis, Graciliano Ramos, Camões e outros autores dos dois países.
            O escritor veio a falecer na sua terra natal em 12 de janeiro de 2012. Como um colecionardor de livros, deixou como um de seus legados um grande espólio literário, que foi doado à Biblioteca “João Alves das Neves” pela sua família.
           Mais detalhes sobre sua carreira podem ser encontrados no seu blog: http://joaoalvesdasneves.blogspot.com.br/


Aspectos da Biblioteca "João Alves das Neves"

Fachada da atual sede do Clube Português

      Durante muitos anos o Clube Português foi a instituição recreativa e cultural mais representativa dos meios lusíadas.
     Em 16 de Fevereiro de 1964 iniciava-se o projeto da sede própria do Clube Português, e exatamente 3 anos depois foi inaugurada na presença das mais representativas personalidades de Portugal, sua nova sede na Rua Turiassú nº 59 no Bairro das Perdizes em São Paulo.
     Atualmente o Clube adapta-se a uma nova realidade, conciliando as manifestações de caráter econômico e preparando-se para novos empreendimentos na área cultural, preservando os objetivos de seus fundadores.
     Em toda sua existência numerosos foram os êxitos da instituição luso-brasileira fundada aos 14 de Julho de 1920 e instalada no Palacete Albino, localizado na Av São João 26 na cidade de São Paulo.
     Desde seu início, o Clube Português caracterizou-se pelas manifestações sócio-recreativas e de Arte, com o objetivo de reunir os Portugueses, seus descendentes e brasileiros, promovendo festas e bailes que deram brado em toda a cidade e com grande repercussão em suas realizações culturais.
      Maiores informações: http://www.clubeportuguessp.com.br/
Fachada da primeira sede do Clube Português de São Paulo, à Rua Conselheiro
Crispiniano, nº 11-A. Neste endereço a entidade permaneceu de 14/7/1920
até 31/5/1926

Eleição da primeira diretoria do Clube Português realizada em 31/8/1920, tendo
sido eleito o Sr. Daniel Martins Ferreira