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quinta-feira, 13 de junho de 2013

PIQUES, O PRIMEIRO MONUMENTO DA CIDADE

Vemos o Piques ao centro em fotografia de 1860. A rua à direita é hoje a Quirino dos Santos e a rua
a esquerda fica ao lado das escadarias de acesso a estação Anhangabaú do metrô

Hoje, quase despercebido pela população que passa apressada pela Rua Xavier de Toledo, o Piques está abandonado a própria sorte. O local é mal frequentado e perigoso. Mas, nem sempre foi assim, como nos conta o escritor Raimundo de Menezes em seu livro “São Paulo dos nossos avós”, Ed. Saraiva, de 1969:
          O Largo dos Piques nasceu com a cidade. Ali se encontrava o chafariz das águas da “cerca dos Padres de São Francisco”, como o chamavam em 1790...
          Há muito tempo, há muito tempo mesmo, era ali, “ao meio-dia, ao som do sobre do sino de São Francisco, no outro lado da encosta”, que se realizava o leilão de escravos”.
          Nenhum outro lugar mais propício, já comentou um cronista. A elevação da subida, com o patamar largo, circundado pelo paredão, punha em destaque a corte enfileirada da mercadoria negra, representada pelos cativos “Paiss-João” e pelas desconsoladas “Mães-Benta”...
          Paulo Cursino de Moura já retratou o momento dramático: “Na hora aprazada, o meirinho do Ouvidor anuncia, solenemente, a manada. Reboliço. Emoção. Os pretendentes, raspando a espora no lajedo, o chicote, batendo a bota luzida, passam em revista os licitados, na atitude de uma arrogância canalha”.
           Começa a licitação. A voz cavernosa do pregão, os lanços vão subindo à medida das simpatias, das aptidões, da saúde, da força bruta ou das habilidades dos negros licitados.
          - Tenho 600$00 pelo Tobias. Ninguém dá mais? É um pechinchão. Abra a boca, negro, mostra os dentes. É de lei, meus senhores, é de lei... Dou-lhe uma...
            A saída, após a arrematação, é o desespero. Pais que separam dos filhos, maridos das mulheres, crianças dos regaços maternos para seguirem, cabisbaixos e mudos, os domos vários que os compram.


Mais uma imagem de 1860, tirada do paredão, atual Rua Xavier de Toledo. Vemos ao fundo a outra parte
da cidade, à extrema direita estão a Igreja e o Convento de São Francisco

E aquilo era quase todas as tardes, ali no Largo dos Piques, quando o sino de São Francisco batia meio-dia. O mesmo espetáculo triste, as mesmas cenas de cortar o coração. Depois... num dia memorável se acabou de vez com aquilo: 13 de maio de 1888!
           O tempo voou. Outros hábitos, outros costumes. A cidade crescendo, progredindo...
           E ali, como um marco histórico, o obelisco, com a sua história. Foi o pedreiro Vicente Gomes Pereira quem construiu o mais antigo monumento que existe em São Paulo. O Obelisco do Piques, houve tempo, mudou de nome. Passou a chamar-se Pirâmide do Piques.
           Erigiram o obelisco em 1814, em “memória” do Governo da Província, chefiado pelo Bispo D. Mateus de Abreu Pereira. Daí o nome que tomou: Largo e Ladeira da Memória, sem nenhuma outra significação. Houve quem grafasse com a maior simplicidade: largo do “Belisco”.
           O engenheiro Marechal Daniel Pedro Müller, segundo nos conta Antônio Egídio Martins, foi, por portaria do Governo Provisório de 26 de agosto daquele ano, encarregado da construção da Estrada do Piques, e, dando execução a esse trabalho, como de outros melhoramentos, no mesmo local, acompanhado de um ofício datado de 17 de outubro que determinava assim: “porque se deve aproveitar para princípio daquele trabalho (pirâmide), que se vai fazer em memória do Governo de V. Exa. e S. Sª., o resto da estação seca deste ano”.
           O Governo Provisório, de que fala o mesmo marechal Müller, era composto do Bispo D. Mateus de Abreu Pereira Ouvidor, D. Nuno Eugênio de Lossio e Scilbz e Chefe-de-Esquadra Miguel José de Oliveira Pinto.
           A Pirâmide do Piques, que se inaugurou no mesmo ano de 1814, foi feita de pedra de cantaria e executada pelo já citado mestre de pedreiro Vicente Gomes Pereira, sob a direção do Marechal Daniel Pedro Müller.


O Largo da Memória em foto de 1920

          O velho jornalista Alexandre Hass deu-nos seu depoimento a respeito: “Foi Müller o realizador das obras da Estrada do Piques, com o seu paredão. O obelisco, ereto em 1814, também partiu de iniciativa sua. Em torno da pirâmide, ora rodeada de alegre paisagem, tudo denotava trato e zelo. Infelizmente, (não é coisa recente) gente inconsciente ou má andou raspando o que ainda se podia ler na inscrição que havia no lajeado. O Marechal Daniel Pedro Müller morreu no dia 1º de agosto de 1841. Foi o seu corpo encontrado junto à ponte do rio Pinheiros. Morreu na Rua Tabatinguera, n. 50, na parte demoninada “Detrás da Boa Morte”, parte esta que, segundo a praxe seguida na época em numeração de casas (número par, à esquerda), devia achar-se uns 150 metros aquém do lugar onde está a Capela de Santa Luzia. Müller construiu ainda o chafariz do Piques. Este se situava na junção da atual Ladeira da Memória com a atual Rua Quirino de Andrade. Formava o mesmo ângulo agudo que hoje forma o banco ladrilho que ali está”.
****

O Piques, o primeiro monumento da cidade, em foto atual
O Piques, na atualidade, deixou de ser o que era. Tudo se acabou. Do Tanque Reuno não se tem notícia. O chafariz das águas da “cerca dos Padres de São Francisco” está extinto, há muito tempo. O Anhangabaú, ali por perto, foi enfiado por debaixo da terra. Apenas a pirâmide, a expressar, talvez, um símbolo maçônico, permanece de pé, recordando o passado lembrando tantas histórias...
         Aquilo por ali era desolador: um amontoado de casinholas velhas, quase a caírem, habitadas por gente da pior espécie, de propriedade de padre Pascoal... Esse Padre Pascoal (quem o conheceu? – pergunta Paulo Cursino de Moura) “tinha energias garibaldinas na defesa de seu patrimônio, jamais se receando os baldões de sarjeta das suas inquilinas fúfias o maculassem na via pública, no período em que o Piques, para ser mais alguma coisa, já tinha sido tudo para a cidade antiga, foi o receptáculo da escória”.
        O Padre Pascoal não dava tréguas àquela gente. Batina suja, trescalando a suor, o velho sacerdote italiano saia de porta em porta a cobrar os seus terríveis e desbocados inquilinos, escutando impropérios a cada instante, indiferente aos palavrões medonhos e cabeludos, atento apenas ao dinheiro que amealhava. E aquilo era todo fim de mês.
         Houve também época em que o engraçado “barbeiro” Juó Bananére (Poeta Alexandre Ribeiro Marcondes Machado, também engenheiro), de tão impagável recordação, manteve, em São Paulo, um jornal de sucesso: o “Abaixo o Piques”. Lembram-se? O “salô” da sua “barbearia” ficava ali bem no centro do largo, “com foro de consulado, centralizando, no dialeto, ítalo-paulista, a fase urbana mais pitoresca de São Paulo”.
         Boas gargalhadas provocou, dos paulistanos de então, o espirituoso engenheiro com as suas tiradas sobre o Piques.
           Em 1908, a Câmara Municipal alterou o nome da ladeira para o de Quirino de Andrade. Sempre eterna mania de destruir as velhas tradições...


Trecho extraído do livro “São Paulo dos nossos avós”, de Raimundo de Menezes, 1969.

sexta-feira, 7 de junho de 2013

Busto de Camões - Clube Português de São Paulo


Busto de Camões em mármore do escultor Rodolpho
Pinto do Couto
           Inaugurado na Biblioteca do Clube do Clube Português em 2 de julho de 1930, por iniciativa de um grupo de amigos do Clube, quando da visita ao Brasil do Dr. Nuno de Simões, Estadista ex-ministro do Comércio da República Portuguesa, contando com a presença do Exmo. Dr. J. A. Magalhães, Cônsul de Portugal em São Paulo.
           Na oportunidade houve grande festa nos salões do Clube, sendo noticiado o fato em todos os meios de comunicação da época. Foi, portanto, um grande acontecimento para todos os brasileiros e luso-descendentes.
           A obra artística foi do escultor português Rodolpho Pinto do Couto, Diretor Artístico do Clube, que soube como ninguém viver em mármore o autor dos “Lusíadas”,  símbolo das glórias do povo luso.
           Na época, foram feitos também três bustos iguais em bronze, para serem distribuídos para a Academia Brasileira de Letras, Gabinete Português de Leitura e Academia de Ciências de Lisboa.
            O Busto de Camões representa o maior símbolo das glórias da raça e dos tesouros da língua portuguesa.


Óleo sobre tela, "Camões na Ilha de Moçambique", de autoria
de A. Neves e Souza, 1979

        A Biblioteca do Clube Português tem em sua coleção outras peças importantes sobre Camões e sua obra, como quadros e livros raros, alguns dos quais serão expostos no dia 9 de junho durante o ato cívico do "Dia de Portugal, de Camões e das Comunidades Portuguesas" na sede da entidade.

Dois flagrantes da Avenida São João na década de 1920



       A história da Avenida São João remonta a 1651. Naquele ano, os paulistanos Henrique da Cunha Gago e Cristóvão da Cunha solicitaram à Câmara Municipal a doação de terrenos na área delimitada pelos Ribeirões Anhangabaú e Yacuba. Nascia assim uma tosca trilha de terra batida que fazia a ligação dessas propriedades com a chamada colina histórica de São Paulo. Com o passar do tempo, esse rústico caminho passou a ser conhecido como "Ladeira do Acú", numa abreviação de Yacuba. A ladeira iniciava-se no antigo Largo do Rosário - atual Praça Antonio Prado - e terminava nas proximidades do Largo do Paissandú. Desse ponto em diante, ela transformava-se na "Estrada de Jundiaí", caminho muito utilizado por tropeiros que seguiam em direção ao interior do Estado. Para transpor o Ribeirão Anhangabaú, existia uma ponte conhecida como "Ponte do Acú". Por isso a Ladeira do Acú era também conhecida como "Ladeira da Ponte do Acú". E como Ladeira do Acú, a São João permaneceu durante todo o século XVIII.
       E por que São João?
       De fato, trata-se de uma homenagem a São João Batista, considerado o "protetor das águas" na tradição católica. Buscando as raízes dessa homenagem, verificamos que os cursos d'água que cruzavam a antiga "Ladeira" eram considerados perigosos para os antigos paulistanos: Yacuba ou Acú, significa em Tupi "Água Envenenada"; esse córrego margeava o atual edificio dos Correios e desaguava no Anhangabaú que, também no Tupi, significa "Águas Assombradas" ou Águas do Diabo". Não obstante a questão do perigo das águas, devemos nos lembrar que as encostas do Vale do Anhangabaú, no final do século XVIII e início do século XIX era uma região de matas e local onde se escondiam assaltantes e escravos fugidos. Por tudo isso, as procissões em homenagem a São João Batista tinham como roteiro certo uma passagem pela Ladeira do Acú. Assim a tradição tomou vulto e a Ladeira passou a ser conhecida como "Ladeira de São João Batista".
        No dia 28 de novembro de 1865, o vereador Malaquias Rogério de Salles Guerra sugeriu que a ladeira "da ponte do Acú" fosse denominada como "Ladeira de São João". Mais tarde, ela se transformou em Rua e, depois, em Avenida São João. Entre 1910 e 1937, sucessivas reformas, alargamentos e prolongamentos foram realizados. Numa de suas últimas reformas, entre as décadas de 80 e 90, a construção do novo "Vale do Anhangabaú" alterou o seu início, dando origem ao "Boulevard São João".
     Fotos: Acervo Biblioteca Clube Português de São Paulo.

sexta-feira, 31 de maio de 2013

Vila Real - cartões postais de 1920



      Estes postais mostram dois aspectos diferentes do trabalho rural em Vila Real, Portugal. A data de publicação não é precisa, mas acredita-se que seja da década de 1920. Essas preciosidades e outras mais pertencem a coleção de Cartões Postais do Clube Português de São Paulo e podem ser consultadas para pesquisa. 
Vindimas - colheitas das uvas

Ceifa do centeio
     Vila Real é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Vila Real, na Região Norte e sub-região do Douro, com cerca de 25 000 habitantes. Foi capital da extinta província de Trás-os-Montes e Alto Douro.
     Com o aumento da população, Vila Real adquiriu, no século XIX, o estatuto de capital de distrito e, já no século XX, o de capital de província. Em 1922 foi criada a diocese de Vila Real, territorialmente coincidente com o respectivo distrito, por desanexação das de Braga, Lamego e Bragança-Miranda, e em 1925 a localidade foi elevada a cidade.
       Nos últimos anos, foram criados em Vila Real vários equipamentos culturais, que trouxeram novo dinamismo à cidade, como o Teatro de Vila Real e o Conservatório de Música, e a transferência da Biblioteca Municipal e do Arquivo Municipal para edifícios específicos para esse fim. Foram também valorizadas várias áreas da cidade, como o antigo Bairro dos Ferreiros e a área envolvente do Rio Corgo.
      Quer conhecer um pouco mais de Vila Real, assista o vídeo:

Coimbra - Cartões Postais de 1920


       Diferente dos postais de Guimarães, estes da cidade de Coimbra são P&B. A data de publicação não é precisa, mas acredita-se que seja da década de 1920. Essas preciosidades e outras mais pertencem a coleção de Cartões Postais do Clube Português de São Paulo e podem ser consultadas para pesquisa. 

Coimbra, vista geral

Quinta das Lágrimas  - Fonte dos Amores... imortalizada nos versos de Raul Ferrão e José M. Galhardo: "... Coimbra dos doutores / Pra nós os teus cantores / A Fonte dos Amores és tu..."

O comboio em Coimbra. Avenida E. Navarro

       Coimbra  é uma cidade portuguesa, capital do Distrito de Coimbra, a maior cidade da região Centro de Portugal e situada na sub-região do Baixo Mondego, com cerca de 143 396 habitantes. Sendo o maior núcleo urbano, é centro de referência na região das Beiras [carece de fontes], Centro de Portugal com mais de dois milhões de habitantes.
      Cidade historicamente universitária, por causa da Universidade de Coimbra, fundada em 1290, conta atualmente com cerca de 30 mil estudantes.
       Banhada pelo Rio Mondego, Coimbra é sede de um município com 319,41 km² de área e cerca de 143 052 habitantes (2011), subdividido em 31 freguesias.
       Com a Universidade como referência inultrapassável, desta surgem movimentos estudantis, de cariz quer político, quer cultural, quer social. Muitos desses movimentos e entidades não resistiram ao passar dos anos, mas outros ainda hoje resistem com vigor ao passar dos anos. Da Universidade surgiram e resistem ainda hoje em plena atividade primeiro o Orfeon Académico de Coimbra, em 1880, o mais antigo coro do país, a própria Associação Académica de Coimbra, em 1887, e a Tuna Académica da Universidade de Coimbra, em 1888. Com o passar dos anos, inúmeros outros organismos foram surgindo. Com presença em três séculos e um peso social e cultural imenso, o Orfeon Académico de Coimbra representou o país um pouco por todo o mundo, em todos os continentes, levando a música coral portuguesa e o Fado de Coimbra a todo o mundo.
       

Guimarães - cartões postais 1920

      Estes belos cartões postais coloridos são de Guimarães, Portugal. A data de publicação não é precisa, mas acredita-se que seja da década de 1920. Essas preciosidades e outras mais pertencem a coleção de Cartões Postais do Clube Português de São Paulo e podem ser consultadas para pesquisa.



Santuário de São Torquato

Largo do Prior do Crato


Edifício da Câmara Municipal



      Guimarães é uma cidade portuguesa situada no Distrito de Braga, região Norte e sub-região do Ave (uma das sub-regiões mais industrializadas do país), com uma população de 52 181 habitantes, repartidos por uma malha urbana de 23,5 km², em 20 freguesias e com uma densidade populacional de 2 223,9 hab/km².
      É uma cidade histórica, com um papel crucial na formação de Portugal, e que conta já com mais de um milênio desde a sua formação, altura em que era designada como Vimaranes. Podendo este topónimo ter tido origem em Vímara Peres, nos meados do século IX, quando fez deste local o seu principal centro governativo do condado Portucalense que tinha conquistado para o Reino de Galiza e onde veio a falecer.
     Guimarães é muitas vezes designada como "Cidade Berço", devido ao facto aí ter sido estabelecido o centro administrativo do Condado Portucalense por D. Henrique e por seu filho D. Afonso Henriques poder ter nascido nesta cidade e fundamentalmente pela importância histórica que a Batalha de São Mamede, travada na periferia da cidade em 24 de Junho de 1128, teve para a formação da nacionalidade. Contudo, as necessidades da Reconquista e de proteção de territórios a sul levou esse mesmo centro para Coimbra em 1129.
     Os "Vimaranenses" são orgulhosamente tratados por "Conquistadores", fruto dessa herança histórica de conquista iniciada precisamente em Guimarães.

sexta-feira, 24 de maio de 2013

Arraial de São João no Clube Português em 1952


        He, he, compadre! Boa noiti! Vamô pra quadrilha? Escolhi seu par, que a dança vai começá!!!
       Já, já chega o mês de junho e, em alguns locais da capital paulista, como o Parque da Água Branco, próximo a sede do Clube Português ou no Parque do Trote, na Vila Guilherme, é possível saborear as guloseimas típicas desta época como o bolo de fubá, pipoca, maçã do amor, pinhão, vinho quente, quentão, cocada etc... 
       Se bem que, as festas juninas atuais em quase nada lembram a nossa tradição caipira. Atualmente, os temas das festas estão muito ligados à cultura norte-americana.
      
      Santo Antônio, São Pedro e São João, os três santos populares do mês de junho,  foram festejados com toda pompa e alegria pelos associados do Clube Português de São Paulo em 1952.
        Abaixo, as fotos da quadrilha e da turma caracterizada para a festança. 




Casa grande e senzala


         Nesta postagem trazemos algumas das aquarelas inseridas do livro "As Velhas Fazendas Paulistas", de 1947, editado pelo Departamento Estadual de Informações de São Paulo.
         Todas as imagens (aquarelas) são de fazendas situadas no município de Campinas-SP.
         Destacamos as aquarelas das casas grandes e das senzalas de seis fazendas diferentes: Anhumas, Camandocaia, Quilombo, Rio das Pedras, Santa Isabel e Sete Quedas.
          "As Velhas Fazendas Paulistas" é mais uma raridade pertente a Biblioteca do Clube Português de S. Paulo.


     "(...) É a nossa intenção ir reunindo um documentário, tão vasto quanto possível, das diversas fases por que passou a lavoura, não só para obter ensinamentos como também para poder discernir, em muitos casos, o 'porque' de processos ou de rotinas usuais até hoje.
      Como o processo da escravidão é o que está o mais distante de nós, julgamos de bom aviso principiar a recolher dados do que ainda resta, enquanto ainda há alguma coisa para se ver.
      O modo que nos pareceu mais interessante para este trabalho vai realizar este trabalho foi o de desenhar as construções típicas daquela época, ainda existentes.






       Para isso presta-se admiravelmente o município de Campinas, centro cafeeiro, já no tempo em que o negro era o braço que mantinha a lavoura. A arte de José de Castro Mendes devemos as aquarelas que ilustram a nossa coleção.
       No período servil, a senzala é uma das identificações. Se toda a organização girava em torno do servo é claro que era preciso alojá-lo de modo adequado. escravo não pode ser mantido em liberdade. Por isso, o curro representa a garantia de permanência do trabalhador na fazenda.
       Mas não se explicaria uma senzala longe das vistas do proprietário. Todas elas se situam nas proximidades ou mesmo fazendo corpo com a casa grande.






     Característica é a existência de um único portão de entrada para o curro, o que facilita a fiscalização. Janelas e portas abrindo para o pátio interno garantem que os que entraram, após um dia de labuta, não sairão, até o romper do outro dia.
       A casa grande era de fato o centro de toda a direção da fazenda. Ali residia o grande proprietário rural com sua família.
      Se não existe um estilo arquitetônico próprio, pelo menos traços gerais idênticos. Residências muitas das vezes assobradadas, nas quais o rés do chão não possuía grande utilização, constituindo antes em local para despejo de coisas e objetos fora de uso. Varandas amplas para amenizar os rigores da soalheira, salões enormes, grande número de quartos, cozinha suficiente para o preparo da alimentação de gente numerosa.".






Instantâneos de São Paulo na década de 1940


      Apresentamos hoje alguns postais da Pauliceia extraídos de um álbum de fotos, da década de 1940, sem referência, pertencente ao acervo da Biblioteca do Clube Português de São Paulo. A  legenda que acompanhada cada imagem foi transcrita no original.

      Dois aspectos do Monumento à Fundação de São Paulo, no Pátio do Colégio, onde se encontram várias secretarias do Estado, e onde o jesuíta José de Anchieta fundou a cidade de São Paulo. A coluna central emerge de grande bloco de granito, ao centro. Em baixo relevo, vê-se a reprodução, em bronze, de gentios conduzidos pelos jesuítas. Ao alto a figura simbólica da Glória. A obra, em granito de bronze, é de autoria do escultor Amadeu Zani.
      Estádio do Pacaembú, construído em 1936, com instalações modernas e completas para toda espécie de jogos, acomodações para atletas e esportistas. Capacidade para 80.000 espectadores. O Estádio possue também piscinas, ginásios, courts de tênis cobertas, "concha acústica", bares, restaurantes etc. Na fotografia, aparecem as torres e as salas de rádios e recepção iluminadas.




     Viaduto do Chá, sobre o vale do Anhangabaú. Ao fundo, o edifício Matarazzo [atual sede da Prefeitura de São Paulo], à direita, o a Light and Power [hoje Shopping Light]. À esquerda, vista lateral, parcial, do Mercado Municipal, no Parque Dom Pedro II. Na fotografia à direita é possível ver a velha Ladeira Porto Geral. Note-se o contraste entre as edificações modernas que aparecem ao fundo, e as antigas do primeiro plano. A velha casa da esquerda foi do último negociante de escravos de São Paulo.

sexta-feira, 17 de maio de 2013

Imagens da cidade de São Paulo na década de 1920



Viaduto Santa Ifigênia na década de 1920. No alto, ao centro, vemos o Mosteiro de São Bento, a única arquitetura remasnescente daquele período, junto com o viaduto. Observe as casas embaixo do mesmo, hoje, Av. Prestes Maia

Avenida São João. Foto tomada da atual Praça Antônio Prado


O "Piques". A esquerda da foto vemos um conjunto de sobrados que não existem mais, pois deram lugar a estação de Anhangabaú do Metrô.


Fonte: fotos pertencentes ao Acervo da Biblioteca do Clube Português de São Paulo.

Concerto do maestro Oscar da Silva no Clube Português em 3/9/1927


            


Na noite de 3 de setembro de 1927, a Diretoria do Clube Português fez realizar-se uma noite de arte coroada de êxito. A apresentação do pianista e compositor Oscar da Silva, considerado o último dos grandes românticos portugueses e, simultaneamente, o iniciador da música moderna em Portugal. Oscar da Silva aderiu com entusiasmo à evolução modernista. Sendo reconhecido em vida como um grande compositor, bem como um intérprete genial, sobretudo de Chopin e de Schumann.
            O pianista nasceu no Porto na Rua Costa Cabral, em 21 de abril de 1870, e veio a falecer a 6 de março de 1958, em Leça da Palmeira, em Portugal.
            Em 1881 dá início aos seus estudos de música e compõe a sua primeira peça, Hino Infantil, cantada por um coro infantil sob a sua direção no Palácio de Cristal. Em 1884, começa a frequentar o Conservatório Nacional. Em 1915 cria e publica em livro Sonata Saudade – A viagem, para violino e piano.
           Em 1930 viaja para o Brasil, onde permanece cerca de 20 anos, só regressando a Portugal a convite de António Salazar. Em 1935 vê grande parte da sua obra publicada e recebe a Ordem de Santiago e Espada. Em 1940 compõe o hino da cidade do Porto.



O Salão Nobre e o mesanino do Clube Português lotaram para assistir a apresentação do maestro Oscar da Silva




Sobre o concerto, foi registado no livro de "Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo":

"O concerto de sábado, realizado pelo ilustre pianista e célebre compositor português, Sr. Oscar da Silva, gravou na mente de todos que a ele assistiram a nítida noção do caro e extraordinário valor do eminente artista. Gozando de uma justa fama e renome universal, o Sr. Oscar da Silva teve a ouvi-lo uma numerosíssima e seleta assistência.

Na primeira parte do programa, executando algumas músicas de Chopin, sua especialidade, o notável artista emocionou o numeroso auditório pela forma da sua execução verdadeiramente assombrosa e fantástica; momentos havia em que as teclas mansamente feridas choravam notas tão tristes e sentimentais que numa onda de melancolia invadia todos os presentes, outras vezes, porém, eram uma rajada quente de entusiasmo que perpassaram sobre elas, arrancando-lhes um hino de triunfo que as distorcia entusiasmada depressão como estrepitosas palmas.

Na segunda parte, o Sr. Oscar da Silva fez uma conferência, dissertando sobre as músicas regionais portuguesas e meios de propagação. Em termos eruditos e claros o também ilustre conferencista mostrou como cada província tem as suas modinhas e canções com características próprias. Em seguida, ao piano, demonstrou cabalmente como as suas 'páginas portuguesas'como essas mesmas velhas modinhas ainda hoje podem fazer as delícias dos nosso ouvidos, quando sabiamente estilizadas por uma talento como o de S. Excia.

No fim foi-lhe oferecida uma taça de champagne, tendo sido saudado pelo Sr. Henrique Serra em nome da Diretoria e pelo Sr. Anselmo de Oliveira.

O programa que agradeço sem reservas era o seguinte:

1ª.Parte

1-Prelúdio. 2- Estudo. 3- Nocturno. 4- Duas Valsas. 5- Marcha Frenelie.... de Chopin
6-Danças Húngaras de Johannes Brahms
7-Berceuse de Brahms
8-Parafrase de Saint-Saëns
2ª. Parte
1- Palestra sobre a música popular portuguesa pelo recitalista
2- Algumas páginas portuguesas
3- Improviso sobre um tema popular brasileiro
4- Uma rapsódia portuguesa".

Oscar da Silva, ao centro, ladeado pelos Diretores e associados após sua magnifíca apresentação. Esta bela mesa que vemos na foto, ainda existe e hoje faz parte da sala da Biblioteca do Clube Português


Fonte de pesquisa:  Livro de "Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo"
                                www.cm-matosinhos.pt/pages/561?poi_id=38

Baile de Carnaval de 1929 no Clube Português



A matiné infantil para a garotada aconteceu em 2 de fevereiro
             1929 foi o ano em que se iniciou uma grande crise na economia mundial, devido à quebra da Bolsa de valores dos Estados Unidos.
            Enquanto isso, no Brasil, os foliões, carnavalescos e nos salões se cantavam, com todo entusiasmos, as marchas Dorinha meu Amor, Vadiagem, Gosto que me enrosco, com Mário Reis; É sim senhor, Seu doutor, Comigo não violão, com Francisco Alves e Sou da fuzarca e Não sou mais trouxa, criações de Benício Barbosa.
             No Clube Português não foi diferente. Seus bailes de carnavais eram famosos. Noticiava o Diário de S. Paulo de 1º/2/1929: "Costumam ser das mais entusiasticas e pomposas as festas carnavalescas do Clube Português. Este ano abri-se-ão os salões da bela casa da Avenida São joão, para doi retumbantes acontecimentos da empolgadora quadra do imperador Momo.
            O 1º, no domingo, dia 2 de fevereiro, reunirá a buliçosa 'gente de palmo e meio' num vesperal a fantasia, com muita alegria, de bombons, jogo de confete, serpentinas e, sobrehavendo, na mesma noite às 20 horas, sarau dançante para os sócios e suas famílias.
            O 2º terá lugar no dia 11, das 22 horas em diante, e consite num baule carnavalesco, em forma, obrigatória de traje a rigort, fantasia ou branco, exclusivamente, para as famílias, com exceção da petizada que, essa, tem que dormir para acordar cedo e bem disposta no dia do Entrudo.
           A sede do Clube receberá artística e original ornamentação, caprichosa e rica".
Grupo de associados fantasiados para o carnaval de 1929. À esquerda, sentada no sofá, vemos a Sra. Maria Amélia D'Eça, e ao centro, a Sra. Sarah Costa, esposa do vice-presidente do Clube Português, Sr. Júlio Costa. Sentadas no chão, à esquerda está a srta. Helena Costa e, a direita, sua irmã Maria Antônia Costa, filhas de Júlio e Sarah Costa. Essas duas mocinhas serão futuramente animadoras do 1º Grupo de Danças Regionais da referida entidade
          
Sobre esta festiva noite, eis o registro do livro “Ephemerides do Club Portuguez de S. Paulo”:
           "Se as festas do Clube, os seus saraus, os seus vesperais, as suas magníficas reuniões lhe não marcassem, desde há muito, um lugar de elite entre as mais distintas Associações de São Paulo, bastaria o Baile de Carnaval, do dia 11 de fevereiro, para lhes assegurar iniludivelmente. Foi uma bela noite de alegria, de encantamentos e de elegância, com toda a graça e espírito inerentes ao festejo de Momo, sem uma nota destoante que lhe perturbasse as folgas e os risos francos. Centenas de famílias encheram nossos salões caprichosamente adornados, numa orgia de luzes, de plantas e de corbeiles. A formosura e a distinção das senhoras, algumas das quais ricamente fantasiadas dava requintes de realce ao bulício das danças que animaram sem cessar até alta madrugada. Foi cuidado e bem abastecido o serviço de buffet. Os senhores Diretores foram incansáveis de gentilezas para com os convidados e associados. Boa organização em tudo, e uma ordem que mereceu louvores aos mais exigentes. Música afinada e incansável. A melhor sociedade da colônia portuguesa e do meio paulista passou, esta noite, pelos salões do Clube. E as apreciações dos menos dados a amabilidade eram unanimes, no dia seguinte: “O baile de 11, no Clube Português, foi o melhor, senão o melhor, do Carnaval deste ano, em São Paulo”.
Os associados se divertiram à beça. Os jornais da capital, sem excessão, noticiaram o Baile de Carnaval do Clube Português
como o acontecimento do ano

sexta-feira, 10 de maio de 2013

Gago Coutinho e Sacadura Cabral no Clube Português em 1922

Gago Coutinho e Sacadura Cabral, ao centro, ladeados pelos diretores e pelo presidente do Clube Português de São Paulo, Ignácio Pereira (à extrema direita)
           Na manhã de 30 de Março de 1922, às 7 horas, o FAIREY II, tripulado por Gago Coutinho e Sacadura Cabral descolou do Rio Tejo, com destino ao Rio de Janeiro. Era a primeira Travaesia Aérea do Atlântico Sul. Cinco dias antes, a 25 de março, largaram os navios de guerra República, Cinco de Outubro e Bengo, que iriam prestar assistência de voo.
          A travessia realizou-se em várias fases, no intervalo das quais os hidroaviões eram assistidos. Contudo, consideram-se quatro etapas na viagem, visto que, devido a problemas mecânicos e condições naturais adversas, foram utilizados três hidroaviões.
Gago Coutinho e Sacadura Cabral posando ao lado das esposas e filhas do diretores do Clube Português, 5/7/1922

Após as várias etapas e dificuldades durante a viagem, Gago Coutinho e Sacadura Cabral passaram em junho de 1922 pelas cidades de Recife, Bahia, Porto Seguro, Vitória, e, finalmente, Rio de Janeiro, aos 17 de junho, na enseada da Guanabara, levando os corações de portugueses e brasileiros a baterem em um só compasso.
           Receberam as mais altas honrarias e comemorações do povo paulista e de seus patrícios, quando da passagem destes dois ilustres aviadores em São Paulo. No dia 5 de julho de 1922, foram recepcionados no Clube Português de São Paulo pelo presidente Ignácio Pereira, seus diretores e sócios.
Recepção aos aviadores na sede do Clube Português de São Paulo aos 5/7/1922